Expectativa é frustração agendada!

Fonte chibird.com
Anos atrás em uma palestra da Ximena D’Ávila ouvi ela dizer: “as expectativas nunca serão cumpridas!”. Aquilo me deu um nó na cabeça! Algum tempo depois numa introdução a Comunicação Não-Violenta (CNV) com o Dominic Barter escuto: “Expectativa é frustração agendada!”.
Ainda tenho algumas perguntas latentes na minha cabeça: De onde vem as expectativas, afinal? Por que estamos sempre desejando e esperando que nos aconteça exatamente aquilo que queremos? Que desejo é esse que nos faz esperar que tudo saia ao nosso jeito?
Ainda não tenho respostas para essas perguntas, mas tenho conseguido, a partir da CNV, entender como posso, então, lidar com as minhas frustrações geradas a partir das minhas expectativas.
Pense nisso, escolha uma situação onde você se frustrou, por quê você sentiu isso? O que você esperava que acontecesse naquela situação? Chegou na expectativa? Agora, por que você gostaria que aquilo tivesse acontecido?
Outro dia mandei uma mensagem para um amigo, estava com saudades e queria vê-lo, eis que ele me responde dizendo que estava indo viajar! A primeira coisa que me bateu foi a frustração: não ia vê-lo! Por um tempo fiquei ali ruminando minha frustração, porque ninguém é de ferro e ainda estou aprendendo a ser mais ágil nesses momentos, mas para isso preciso praticar mais.
Até que me dei conta: para! eu sinto frustração porque eu gostaria de vê-lo, ponto! Minha expectativa era de que ele me respondesse: sim, também estou com saudades, vamos nos ver!!!! Mas isso não aconteceu!
Toda frustração é gerada por uma expectativa e ela, a frustração, é o nosso sinal de que há necessidades não atendidas! O que existe por trás de uma saudade ou de querer ver um amigo? Quais são as necessidades que estão aqui e queremos supri-las? Podemos ter: companhia, proximidade, conexão, troca, diversão, movimento, relaxamento, carinho, atenção, algumas que podemos nomear!
Quando consegui então nomeá-las consegui perceber o que eu estava querendo suprir e assim buscar novas estratégias que pudessem atendê-las. Com isso olhei para o meu contexto e quais necessidades eram mais vivas. Eu estava o dia todo em casa, havia ficado trabalhando no computador todo o tempo. Percebi que precisava me movimentar, sair, ver a rua, passear e em seguida percebi que queria companhia. Então, fui em busca disso. Sai de casa e fui até o mercado, liguei para uma amiga e combinamos de nos encontrar mais tarde.
Depois que voltei do mercado, me sentindo contemplada em alguma necessidade que estava viva, me dei conta de que quando surgiu a minha frustração não consegui nem ficar feliz pela viagem que meu amigo estava indo fazer e muito menos pelo que ele estava cuidando naquele momento.
Muitas vezes quando nossas necessidades não estão sendo atendidas, não conseguimos enxergar o outro. Por isso é muito importante que busquemos ter apoio quando ainda não conseguimos sozinho enxergar nossas necessidades ou mesmos nossas frustrações. A troca com o outro, o olhar de fora, muitas vezes nos ajudam a trazer clareza para aquilo que não conseguimos ver.
Fazer esse exercício tem me ajudado muito a sair da ruminação da frustração e tomar atitudes que me contemplam e assim suprir minha necessidade de bem estar!
A nossa expectativa é sempre aquilo que desejamos que aconteça e não o que de fato irá acontecer, por isso será frustração na certa! Se ainda não é possível não tê-las, que tal aprender a lidar melhor com elas? E assim buscar cada dia mais o nosso bem estar e sair da ruminação sobre as frustrações ou querer achar um culpado para elas?





