A primeira vez que eu escolhi escutar em vez de vencer

Eu estava no começo dos meus estudos sobre Comunicação Não-Violenta, quando tive uma discussão com o meu pai que escalou mais do que eu gostaria.
Estávamos no carro, quando ele parou, eu saí, já indo embora ele disse: "Se for, não precisa mais voltar."
Ele subiu pra casa. E eu fiquei paralisada. Não por medo da ameaça, paralisei porque não queria mais uma vez terminar uma briga daquele jeito.
Respirei. Me acalmei. E me fiz uma pergunta que nunca tinha me fei
to antes numa discussão com ele:
Consigo deixar tudo o que estou sentindo por um momento e abrir espaço para escutar?
A resposta foi sim.
Subi as escadas, fui até ele e fiquei ali, por um bom tempo, só escutando. Sem querer provar nada, só querendo entender o ponto de vista dele.
E foi aí que ele trouxe perspectivas sobre a nossa relação que eu nunca antes tinha escutado.
Aquele dia mudou muita coisa aqui dentro.
As discussões com o meu pai sempre foram as mais difíceis, porque com ele eu sempre estive esperando um reconhecimento que nunca chegava..
E foi exatamente nessa relação, a mais carregada de história, de trauma, de expectativa, que a escuta me mostrou o que era capaz de fazer.
Não resolveu tudo. Mas abriu uma fresta que antes não existia.
É isso que eu ofereço na jornada do Entre Nós. Não a conversa perfeita. A fresta!




