O que é necessário para criar um ambiente seguro para que as pessoas sejam honestas e autênticas?

Sabemos que a base de um bom relacionamento é a comunicação. A abertura para o diálogo com empatia e a suspensão de julgamentos nos levam a uma verdadeira conexão, onde a pessoa é preenchida de escuta e acolhimento.
Ontem, eu e minha amiga abrimos um espaço de escuta. Ela tem enfrentado muitos desafios. Assim como eu, ela é autônoma e o mercado não tem sido generoso conosco. Queríamos um espaço pro desabafo das dificuldades que tem sido. Além disso, ela está enfrentando uma crise em seu casamento.
Em um determinado momento, ao me contar sobre uma questão específica, ela me pediu: "por favor, não julgue, essa questão é muito dolorosa para mim. Se não, não vou lhe contar mais nada". Ao perceber o medo dela, eu nomeei alguns julgamentos, numa tentativa de entender o que ela temia.
No momento que consegui nomear os seus medos em relação a alguns julgamentos, pude também entender melhor em como ela estava se sentido fragilizada, de que ela estava precisando de acolhimento e uma amiga para desabafar, só isso! E então, fiquei em silêncio e voltei a escutá-la.
Em minhas práticas de escuta, venho percebendo que ao suspender os meus julgamentos, deixando de lado minha opinião, meus conselhos ou o que acho que é certo ou errado, abro um espaço para que a outra pessoa se sinta acolhida e segura para tirar o band-aid e mostrar sua ferida.
Quando algo é muito doloroso, nos recolhemos, não queremos tocar no machucado. E ao sermos julgados queremos nos esconder ainda mais, porque nos sentimos envergonhados ou que erramos gravemente de alguma forma.
Afinal, como suspender nossos julgamentos? Os julgamentos se referem a pressupostos, preconcepções e avaliações que fazemos sobre pessoas, situações ou comportamentos, geralmente com base em informações em nossas experiências ou sobre aquilo que achamos ser verdade e/ou certo.
Assim como a escuta, suspender os nossos julgamentos é como uma meditação, onde lidamos com a intromissão de opiniões, dicas, lições, advertências, indicações e/ou críticas ... e a cada vez que aparece um pensamento desses, lidar com o desejo de não engajar com eles e os mandar embora. Ou como eu gosto de dizer: a escuta é muito mais sobre o outro do que sobre mim! Uma prática de: a todo momento trazer a sua atenção para a pessoa que está conversando contigo.
Lembre-se que todos nós fazemos julgamentos, o importante é estar ciente disso. Suspender os nossos julgamentos é deixar que eles se vão sem dizer ao outro e sem engajar com eles.
Para criar um ambiente onde a autenticidade e a honestidade possam florescer, é crucial entender e abordar as barreiras que impedem as pessoas de se expressarem. O medo do julgamento, por exemplo, normalmente é o que mais tememos. No final das contas, é um processo contínuo que exige escuta, empatia, compreensão e paciência também de nós mesmos. É importante lembrar que cada pessoa é única e pode ter diferentes necessidades e confortos. Portanto, é essencial manter uma abordagem aberta e flexível.
Ao criar uma cultura organizacional onde a comunicação é aberta ao diálogo, onde os julgamentos são minimizados e a escuta empática é valorizada, abrimos um espaço acolhedor de respeito, reconhecimento e conexão.

